Ressonâncias de uma viagem – de avião e de autocarro

 “Cultura e Peregrinação: ao encontro da felicidade de servir” foi o título que o Professor Albino deu ao seu relato da peregrinação que ele definiu como “uma viagem à interioridade da vocação de discípulos de Monsenhor Alves Brás, por terras de Santa Zita, no 800º aniversário do nascimento daquela que foi escolhida por modelo e protetora da sua Obra”. E esta viagem é ainda considerada como a condição de cristãos em peregrinação na condição de companheiros de viagem de cooperadoras da família da Obra de Santa Zita, cuja liderança, feita só de mulheres, foi objecto de muita admiração e apreço, pelo repórter, que vai contando de forma factual e analítica o decorrer da viagem, vestindo sempre a sua narrativa de informações culturais, religiosas e políticas.

Assim, em Roma (a nova Jerusalém), destacou:

    - A figura de Pedro e Paulo face a face com o poder de morte e o poder de Roma que se nos impõe como lugar de encontro de apóstolos que procuravam os meios mais poderosos de fazer chegar aos confins da terra a “Boa-Notícia” de que todos os homens são filhos do Deus único, e que é Pai acima de tudo;

    - A Audiência Papal, na Praça de São Pedro;

    - A vivência na visita às quatro basílicas papais, nomeadamente a Basílica de São Pedro e o génio dos grandes artistas que ali deixaram a sua voz silenciosa a jorrar eternamente das suas obras;

    - A visita ao Panteon de Roma, ao Coliseu e a pena de não ter havido mais tempo para visitar outros importantes monumentos ali à volta.

A viagem de Roma para Assis, com o seu convite ao silêncio e à paz interior fez-nos recentrar na condição de peregrinos que não se deixam absorver apenas pela grandiosidade da arte mas também pela beleza da meditação que conduz ao compromisso do servir e do confirmar os irmãos na Fé, como o Senhor recordava a Pedro. Já em Assis, sentimos que o contexto em que se move São Francisco é o da tensão entre o tempo de Deus (representado pelo sinos das torres das Igrejas), talvez seja mais apropriado falar do tempo dos nobres associados à Igreja papal daquele tempo, e o tempo dos mercadores (representado pelos relógios das torres municipais). Também a presença de Santa Clara, (filha de nobres), cujo corpo pudemos visitar, se nos impõe através dos relatos da sua caridade e vida de pobreza em prol dos mais desfavorecidos.

De Siena, o repórter comenta Assis e Siena referindo que entre os Séculos XIII e o XIV, vivia-se um tempo de tensões e relações entre o poder político e o poder religioso que permanecem mas que fizeram com que a burguesia na Península Itálica financiasse obras de arte religiosa como nunca houvera no passado e que verdadeiramente nos deixam um desejo intenso de tudo poder abarcar. Em Siena (a cidade da Virgem Maria) o autor destaca o encontro com Santa Catarina e a emoção de se estar frente à relíquia da cabeça daquela que é a patrona da Europa e diz da pena que foi não termos tido tempo (e folego) para apreciar, na imperdível Catedral de Siena, o percurso da Porta do Céu.

À noite chegámos a Lucca: o momento cimeiro do nosso peregrinar, ao encontro com o meio ambiente que envolveu o nascimento e a vida de Santa Zita. O mesmo repórter não pôde deixar de sublinhar o gesto tão bonito da prenda das cantarinhas, como lembrança emblemática de Santa Zita.

Nesse dia, o grupo que partiu de avião, encontrou-se com o grupo que viajou de autocarro a fim de, no dia seguinte, se partir para Monsagrati, onde se sentiu a importância para a comunidade local do testemunho que o nosso numeroso grupo transportava consigo e que gerou esse aplauso espontâneo face às palavras da Dra. Maria do Céu, na Igreja paroquial, ao fim da Eucaristia.

Em Lucca, fez-se a visita à igreja românica de São Frediano, onde repousa o corpo mumificado de Santa Zita, e onde em vida ela se terá tantas vezes deslocado para orar, dado que a casa (da família Fantinelli), ficava ali próximo. Prosseguimos com a visita à catedral de Lucca (dedicada a São Martinho), magnífica, com explicações, a condizer com tamanha beleza artística.

Em Génova, a cidade portuária, onde se cruzavam os três caminhos do peregrinar, conduzidos de forma segura e serena pelo nossos motorista Roberto, foi-nos explicado que nesta cidade se cruzaram durante séculos, os peregrinos da Península Itálica que se dirigiam, quer para São Tiago de Compostela por terra, quer para a Terra Santa, por mar, quer ainda os que na Europa Central e Ocidental peregrinavam para Roma.

Depois, em Nice, para além da visita panorâmica da cidade, tivemos a participação na Eucaristia, toda em latim, na Catedral de Nice (dedicada a Santa Reparata, uma mártir também muito venerada em Lucca, onde lhe é dedicada uma igreja muito bela). Por fim, tanto Mónaco como Cannes, a Riviera Francesa, valem bem uma visita prolongada.

A concluir, o autor da reportagem, diz que Ámen não é o fim, mas um recomeço mais intenso, esperando voltar a participar noutra iniciativa semelhante e esperando ainda que as nossas recordações se conjuguem na alegria proporcionada pela convivência, na cultura associada à beleza da natureza e das artes humanas e na vocação do cuidar que fomos convidados a partilhar, em evocação da aventura institucional de Monsenhor Alves Brás.

Para ver a reportagem completa consulte aqui ....