OSZ de Castelo Branco em festa de fim de ano

Perdoem-me os que têm mais dificuldade em ler. Desta vez não resisto e tenho que deixar a pena correr um pouco mais descontraída, mesmo assim tive que por algum travão… de contrário, não sei onde me levaria. Não nos zangamos se passarem à frente, mas nem sempre as imagens falam por mil palavras e o contrário também acontece. Veremos onde nos situamos.

Tudo o que eu sei aprendi no Jardim de Infância
Robert Fulghum
Grande parte das coisas que preciso de saber sobre a vida, sobre o que fazer e como ser, aprendi no jardim de infância... A sabedoria, afinal, não estava no topo de uma montanha chamada Universidade mas sim na caixa de areia da minha escola.
Eis as coisas que aprendi:
A compartilhar... a não fazer batota... a não magoar os outros... a arrumar o que desarrumei... e a limpar o que sujei.
A não tirar o que não me pertence, a pedir desculpa quando magoo alguém.
A lavar as mãos antes de comer. A puxar o autoclismo.
Aprendi que o leite faz bem à saúde. Aprendi a aprender, a pensar e também que desenhar, pintar, cantar e dançar era bom... a dormir a sesta... a ter cuidado com o trânsito... a dar a mão, a ser solidário.
Vi a semente a crescer no copo de plástico; as raízes descem e a planta, sobe embora não saiba porquê, gosta-se.
Os peixes dourados, os hamsters, os ratinhos brancos... (e mesmo a planta no copo de plástico) morrem. Nós também.
E lembro-me dos primeiros livros, da primeira palavra que aprendi: vê! É isso que tenho feito sempre.
Se todos - em todo o mundo - tivessem tomado um copo de leite às quatro da tarde, depois de terem dormido a sesta, o mundo estaria bem melhor.
Ou se houvesse uma política de base no nosso país - e em todos os outros - de devolver o que não é nosso e de limpar o que sujamos.
E também sei que é verdade, que ainda é verdade, que no mundo o melhor é dar as mãos... e ficarmos juntos.

ROBERT FULGHUM - "Tudo o que eu devia saber na vida aprendi no Jardim-de-Infância"
Ideias incomuns sobre coisas banais, Editora Best Seller, 3ª Edição, 1986, 1988

Hoje não resisto e não vou procurar muito mais vocábulos. Depois da intensa semana de preparativos para a “Festa de Finalistas”, a par de reuniões de pais, próprias de final de ano lectivo; lembrei-me deste texto que conheço há largos anos. Ele diz o percurso de cada uma das crianças que hoje nos dizem “adeus”. Antes disso, provaram ainda mais uma vez revelar a verdade do mesmo. Foi na Eucaristia das 18:00 horas, na Paróquia de São Miguel da Sé.
O calor era intenso e as emoções confundiam-nos, parece que nada sabíamos sobre nada. Elas, as crianças, os principais intervenientes estavam firmes no seu posto e desempenharam o seu papel, até ao último momento.
O “coro” no tom, os salmistas em elevado grau, as oferendas… (símbolos tão simples e tão nossos: bibe, pastas, pão e vinho) para no final da celebração, receberem das mãos do Padre Nuno, da Educadora e da Auxiliar da sala o símbolo deste tempo, o impulsionador para nova fase que se apresenta.
Na Eucaristia o Padre Nuno Folgado, “comparando” a festa com a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que a Igreja assinala neste dia (este ano) dizia: “o que aconteceu convosco foi este amor que vos foi dedicado ao longo destes anos na Obra de Santa Zita. Sejam muito felizes e levem a todo lado este amor que receberam. Este é o fim de uma etapa para dar lugar a outra que vos levará a saber cada vez mais de cada vez menos. E lembrava aos pais o compromisso assumido no baptismo, aqueles que optaram por isso. Comprometeram-se a ajudar as crianças no crescimento da fé e aqueles que deixaram que sejam os filhos a decidir, talvez seja altura de lhes dar mais um “empurrãozinho”.
No momento da comunhão as crianças receberam a bênção de Deus pela imposição das mãos do Padre Nuno, enquanto cantavam: como o girassol têm mil sementes de amor, de ternura, de carinho, de alegria, de … para dar, cada um tem em si essa mesma possibilidade e potencialidade.
As lágrimas teimavam em espreitar e rolar pelas faces de familiares, educadores e auxiliares … lágrimas de alegria … alegria que vem da certeza do dever cumprido, isto mesmo agradeciam e frisavam as responsáveis, tanto executiva como pedagógica, da Obra de Santa Zita de Castelo Branco, Maria de Jesus e Deolinda Araújo, e voltamos ao final do texto: dar as mãos e trabalhar em conjunto é sucesso garantido.
Parabéns a todos! nós continuamos com o mesmo empenho de dar o melhor para que aqueles que passam por nós e que “não vão sós, deixem um pouco de si, levem um pouco de nós”!